segunda-feira, 28 de maio de 2007

"Onde você esconde o seu preconceito?"



O título acima relembra uma campanha publicitária, recentemente, divulgada na TV. É uma pergunta bem tosca (digo eu), visto que todos nós temos pré-conceitos! Mas as suas respostas são bem curiosas, uma vez que as pessoas inquiridas são pegas de surpresa e, na maioria, tentam negar que tenham pré-conceitos. Ainda assim, todos conhecem alguém que tenha pré-conceito!

Na verdade, na verdade, ter pré-conceitos não é crime nenhum, é algo subjetivo, mas agredir uma pessoa sim é crime! A agressão se configura como um ato irracional, covarde e mais ainda, DESUMANO, quando essa agressão tem por justificativa uma diferença sexual, étnica e de gênero.

Há pouco mais de um mês (se não me engano) um compositor, reconhecido e valorizado no campo cultural de São Luís, foi assassinado por SER NEGRO! Sim, sim...por SER NEGRO! Terem-no confundido com um meliante é secundário, pois ele só foi pré-conceituado por sua cor de pele. Isso causou polêmica, causou revolta e, ainda, causa discussões na sociedade ludovicense.

Outro caso semelhante polemizou a cidade, ontem. Um negro (meu colega de faculdade, inclusive) foi agredido, quando foi confundido (a mesma novela) com um assaltante. O porquê de tal confusão? Eu já disse! Ele era NEGRO, oras. Pode parecer sarcasmo o que estou falando aqui, mas esse post não é um repúdio à discriminação racial, simplesmente, porque o agredido foi meu colega de faculdade, colega de estágio e Jornalista. Mas sim, porque essas obviedades de pré-conceito estão (re) tornando um caos as relações humanas, em que o indíviduo é posto em xeque pelas suas diferenças. Esse tema é costumeiramente debatido, salutado, mas ninguém admite que vivemos em uma sociedade falsamente moralista, em que todos são racistas.

Que a maioria das pessoas que vivem à beira da sociedade seja composta por negros, isso não é nenhuma calúnia. Dizer que morremos de medo quando avistamos um negro mal-vestido se aproximando não é nenhuma inverdade. Mas não podemos negar também que a pigmentação da pele não define caráter, pois se definisse o branco por si só deveria ser extinto da face da terra. Ou vocês querem me dizer que grande parte (senão, total) das tragédias humanas e mundiais foram propostas e conduzidas por brancos? Ou o que é pior: que o estado em que se encontra o negro na sociedade hoje seja, exatamente, por causa do branco? Ainda assim, os negros não saem correndo amendrotados de uma nova subjugação à escravidão, quando vêem um branco!
Racismo é subjugar o outro! O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré-concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. Mas existe apenas uma raça: a HUMANA!
Por isso, não discutamos "onde escondemos nossos preconceitos". Aniquilemo-os!

Luana Diniz
(negra de pele, de sangue, de coração e, principalmente, HUMANA)

P.S.: Passem o cursor de seus mouses nos espaços que, aparentemente, estão BRANCOS!

4 comentários:

Anônimo disse...

postado por alberto júnior.

O que mais me irrita nisso tudo, é que a desculpa que os agressores de Márcio utilizaram foi de que ele mereceu apanhar porque é um drogado!

E daí, se ele for?! isso é motivo pra se bater em alguém?

acho que os toscos deveram se esconder também destes agressores!! (desculpem, mas não consegui me controlar...)

Anônimo disse...

Luana compartilho de sua revolta.

Falar sobre a questão de preconceito racial é tão difícil quando se calar diante das injustiças.
Concordo contigo quando falas de que fazemos parte da raça humana, mas iria mais além, diria, parodiando alguns teóricos do assunto que afirmam, “quem tem raça são os animais, temos etnias”, mesmo sabendo que o conceito não alcança o que o sentido de raça se propõe: “Uma etnia é um conjunto de indivíduos que, histórica ou mitologicamente, têm um ancestral comum; têm uma língua em comum, uma mesma religião ou cosmovisão; uma mesma cultura e moram geograficamente num mesmo
território”. (Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP)) (em palestra proferida no 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação-PENESB-RJ, 05/11/03.
Portanto isto é que deveria ser levado em consideração, e não a cor da pele que pouco diz em relação à competência, “que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos”.

Há muitas outras questões que deveriam e devem ser discutidas em relação ao assunto, o sistema de cotas é um deles, onde boa parte da população é a favor por entender que é uma forma de compensação, de reparação das injustiças sofridas pelos negros por tantos e tantos anos de escravidão. Outros são contra por entender que é apenas mais uma forma de segregação racial.
Esta semana ouvi em algum lugar, não lembro onde, um comentário cômico a respeito das cotas, mas relevante, chamava a atenção para o momento do ingresso destes alunos na Universidade, quando alguém visse um negro na Academia bateria no ombro dele dizendo: “E aí negão, faz parte dos dez por cento!”.
Essa pergunta seria natural, mesmo que não fosse externada. Isso seria o quê? RACISMO, com letras maiúsculas mesmo. Ou não?

Precisamos pensar de forma imparcial, mas com os pés no chão. Sabemos que o racismo existe, não podemos negar, mas precisamos estar cientes que isso não é um problema gravíssimo que afeta a vida em sociedade, mas não é algo que não podemos sustentar.
Existem fatos isolados que vêm se tornando rotineiros e que precisamos sim, denunciar, principalmente nós comunicadores e futuros comunicadores.
A contribuição que nos cabe é essa, pautar esta discussão e fazer com tenhamos uma sociedade mais consciente de seus direitos e que possa se juntar para lutar por direitos iguais.

Emerson Marinho

P.S.: Recomendo a leitura: UMA ABORDAGEM CONCEITUAL DAS NOÇÕES DE RACA, RACISMO,
IDENTIDADE E ETNIA* no site: http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/09abordagem.pdf

Luca disse...

Falando no processo de cotas (uma curiosidade acerca da qual ainda irei postar), vocês já viram a loucura de um fórum promovido por Linhares sobre as cotas?
Fiquei sabendo meio sem-querer e fui conferir...
Sei lá! Eu não sou nada, AINDA, mas acho que as pessoas deveriam medir suas palavras ao falar de certos assuntos, para não entrarem em conflito, exatamente, étnico, como vc mesmo assinalou, Emerson. Ser contra as cotas é uma coisa, mas que os cotistas que vão entrar na faculdade merecem respeito tanto quanto os que ingresseram pelo modo "universal" (que diabos é isso, minha gente?) isso é fato!
Tens razão: a frase é cômica; porém se não fosse trágica!

Antes do preconceito racial, está a vulgarização da discriminação, como um todo. Ou seja, qualquer cotista vai ser apontado! Minha gente, o que é isso?

Polyana disse...

preconceito é pobreza de espírito e ignorância pura!

e esse lance das cotas, eu até apoiava, mas se configurou num picadeiro, a meu ver!
tenho certeza q essa nomenclatura q eles adotaram vai causar problemas no mabiente universitário, pq nós(ainda, e talvez nunk consigamos perder inteiramente) somos(apesar de universitários, cults, mentes-abertas e tralálá)pobres de espírito e ignorantes(como citei acima)...como luana bem frisou a o preconceito de qualker tipo é algo subjetivo, todo mundo o é! a diferença é alguns reconhecem e sabem lidar com isso, outros naum! se acham donos do mundo e kerem contruir uma sociedade( à força e bruta) isenta dakilo q eles consideram incorreto, um não-exemplo para seus filhos...

aff, sem mais delongas

meu pau de óculos pra eles!

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